Pesquisa etnográfica: o ponto chave para estratégia

Etnografia corporativa não serve mais apenas para inovar. Ela é a chave para conseguir um conhecimento completo dos seus clientes e do seu negócio. O trabalho etnográfico na minha companhia, a Intel, e em outras empresas, agora estão influenciando estratégias e o planejamento a longo prazo.

Etnografia é um ramo da antropologia que envolve tentar entender como as pessoas vivem suas vidas. Diferentemente dos tradicionais analistas de mercados, que fazem perguntas específicas, os antropólogos visitam as casas dos clientes ou seus escritórios para observar e ouvir de uma forma não-intrusiva.

Nosso objetivo é enxergar o comportamento das pessoas com sua própria visão, não com a nossa. Apesar deste método parecer ineficiente, ele nos mostra o contexto no qual o cliente usaria um novo produto e o significado que este produto teria em suas vidas.

A pesquisa etnográfica, na Intel, inicialmente focava em novos mercados. A companhia criava apenas produtos para escritório, mas em 1995, os gerentes pensaram em como os usuários domésticos poderiam se tornar um mercado distinto. A pesquisa etnográfica revelou um potencial enorme o que levou a Intel a criar uma unidade para focar em processadores e plataformas para o uso doméstico.

Recentemente, os etnógrafos mudaram o foco para questões estratégicas. Como muitas outras companhias tecnológicas, a Intel faz apostas a longo prazo de como o mercado vai estar no futuro. Será que a televisão e o computador irão convergir? Será que as pessoas da década de 40-60 estão mantendo seus hábitos de TV e computador enquanto envelhecem ou estão se adaptando às novas mídias? Será que os smartphones irão assumir a maioria das funções dos computadores domésticos?

A Intel pode analisar os últimos padrões de compras e de pesquisas com os consumidores para retirar informações úteis. Mas as pessoas, geralmente, não conseguem articular o que eles estão procurando em produtos ou serviços. Entendendo como as pessoas vivem, pesquisadores descobrem tendências de uma maneira elusiva.

Com Smartphones, por exemplo, nós podemos contrastar a perspectiva tecnológica dos adolescentes, que têm usado celulares desde o ensino fundamental com aqueles de gerações mais antigas, que vieram a usar smartphones apenas depois de aprender a usar os computadores.

Nosso trabalho, como antropólogos, é entender a perspectiva de uma tribo, consumidores, e comunicá-la à outra, as pessoas na Intel. Nossa experiência com os dois mundos tornam possível essa “tradução”. A etnografia se provou tão valiosa na Intel que a empresa agora emprega dezenas de antropólogos e outros etnógrafos treinados, provavelmente a maior equipe deste tipo no mundo.

Empresas de alta tecnologia são as que mais empregam etnógrafos nos dias de hoje. Mas acredito que etnografia traz tantos benefícios que irá se espalhar amplamente, ajudando empresas de qualquer ramos a entender plenamente seus clientes e se adaptar ao mercado que muda tão rápido.

Post traduzido do Harvard Business Review.

Crédito da foto: Papagallis.

Design baseado na experiência é sucesso no sistema de saúde do Reino Unido

Logo do Instituto de Inovação e Melhorias do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido

Design baseado na experiência (Experienced based design) é uma nova maneira de unir os pacientes à equipe médica para melhorar o tratamento e re-desenhar serviços. Essa metodologia está sendo desenvolvida pelo NHS Institute for Innovation and Improvement (Instituto de Inovação e Melhorias do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido) como uma maneira de ajudar as equipes médicas do NHS (Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido) a fazerem as melhorias que os pacientes realmente querem.

Mesmo que grandes companhias ao redor do mundo tenham usado abordagens semelhantes durante anos, essa abordagem é totalmente nova para a NHS. Essa iniciativa aplicada ao sistema de saúde está dando resultados impressionantes, fazendo com que os pacientes sintam-se mais seguros, mais felizes e mais valorizados, e também com que as equipes médicas sintam-se mais positivas, recompensadas e com mais recursos.

O que há de especial nesta abordagem?

Usar a experiência para desenvolver melhores serviços relacionados à saúde é uma maneira de perceber e entender as necessidades dos pacientes, funcionários e equipe médica no ambiente hospitalar.

Não apenas suas respectivas visões dos processos, como a velocidade e eficiência com que passam pelo sistema, são identificados nessa abordagem. Ao invés disso, essa utiliza as emoções pessoais de um paciente e as experiências dos funcionários em pontos cruciais do sistema. Isso é feito através de:

  • encorajamento e suporte aos pacientes e equipes para “contar suas histórias”.
  • utilização dessas histórias para localizar as partes do sistema onde a experiência dos usuários é moldada com maior intensidade (as partes do sistema que foram localizadas).
  • envolvimento dos pacientes, dos funcionários da área da saúde e das equipes médicas para re-projetar essas experiências ao invés de apenas sistemas e processos.

Se interessou?

O instituto desenvolveu guias e kits de ferramentas para melhorar a experiência do paciente que dão um suporte para quem quiser implementar esta abordagem.

Fonte: site oficial do NHS

Quatro Modelos de Negócios Gratuitos

Chris Anderson, editor chefe da revista Wired e autor do livro “A Cauda Longa”, está escrevendo um novo livro: “Free: The Past and Future of a Radical Price“.

Os 4 modelos gratuitosSegundo Chris, os custos associados a crescente economia online tendem a ZERO. Nunca na história da humanidade recursos primários de uma economia industrial reduziram os preços tão rapidamente e por tanto tempo.

Lembre-se que em 1961, um simples transistor custava U$ 10; agora o chip mais moderno da Intel possui 2 bilhões de transistores e custa em torno de U$ 300 (ou U$ 0,000015 centavos por transistor, ou seja, muito barato para ser precificado).

Um dos temas do livro é entender os diferentes modelos de negócios que irão predominar na economia do FREE. Os 4 modelos e a sua respectiva representação gráfica foram apresentados antes do lançamento do livro.

FREE 1: Produtos pagos subsidiam outros produtos gratuitos.

FREE 2: Propaganda de terceiros patrocinam produtos gratuitos.

FREE 3: Poucos clientes exclusivos pagam pelo produto e subsidiam os demais clientes.

FREE 4:
Produtos distribuídos gratuitamente em troca de reputação e atenção.

O livro será lançado em 2009 pela editora Hyperion.

Você já imaginou a reinvenção do seu modelo de négocios? A economia do FREE chegou e não deixou dúvidas que vai ficar por um bom tempo. Reinvente o seu negócio agora!

Fonte da notícia: Long Tail e Hyperion

Tweete direto para as telonas do cinema

Um cinema, em Illinois, Estados Unidos, está testando uma nova ferramenta, chamada MuVChat, que possibilita que a plateia envie comentários sobre o filme que está passando; através do celular direto para as telas do cinema.

Como funcionaria o MuVChat

Os comentários podem ter no máximo 140-160 caracteres, que é o tamanho de um tweet/ SMS, mas para enviar o comentário, não é necessário estar cadastrado no Twitter; aparentemente você enviará o comentário para um número específico que postará a sua mensagem na tela quase instantaneamente.

O autor deste novo serviço diz que nas seções onde o MuVChat está funcionando, cada pessoa costuma enviar 40 mensagens, são 8.000 mensagens em uma sessão de 200 pessoas!

“Normalmente, você não quer pessoas escrevendo mensagens em seus telefones (as telas brilhantes), são uma espécie de vagalume dentro da sala. Mas se todo mundo estiver fazendo isso, é divertido”, disse Randy Pollock, gerente do Charlestowne, cinema que está testando o MuVChat.

Já outras pessoas tem uma visão totalmente oposta à do gerente do cinema, como o cinéfilo Harry Knowles por exemplo: “Cinemas são locais onde se deve deixar o mundo externo para trás”.

Se é uma boa idéia ou não penso que depende do público do filme, esta ferramenta pode funcionar muito bem em um filme mais teen ou um “besteirol americano”; quem iria assistir um filme de terror ou “Quem quer ser um milionário?” com um bando de mensagens inúteis escritas em miguxês como legenda?

Além disso, a ferramenta funciona muito bem para filmes onde o idioma falado no filme é a lingua-materna do país, gostaria de saber como ficaria em um país onde o filme possui legendas.

De qualquer forma, a idéia é inovadora, com certeza muitas boas outras idéias surgirão derivadas do MuVChat.

Fonte da notícia: iMasters e Switched (onde peguei a imagem também).

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