Tom Kelley ajuda as empresas a inovarem através do design

Tom Kelley, gerente geral da IDEO, ministrou em 2008 uma palestra com o tema: Ajudando empresas a inovarem através do design; uma ótima palestra que está disponibilizada no YouTube e resumida neste post.

Tom Kelley comenta que no início, quando a IDEO foi criada, não havia nenhum antropólogo. Mesmo após a entrada de vários antropólogos na empresa, ele não conseguia entender o que eles faziam.

Mas, isso foi em 91. Hoje em dia, ele afirma que os antropólogos são a maior fonte de inovação da sua empresa e de várias outras ao redor do mundo. Para Kelley as empresas possuem vários solucionadores de problemas criativos, que procuram solucionar os problemas com muito entusiamo. Mas é necessário que saibam antes qual é o problema para poder solucioná-lo.

É neste ponto que os antropólogos entram! Eles são extremamente bons em ir a campo e descobrir algo novo, encontrar novos problemas que geralmente significam novas oportunidades de negócios. Nem sempre são oportunidades viáveis de negócios, você deverá tomar a decisão de investir ou não nessas oportunidades.

Tom ainda diz que quando trabalha com grandes executivos, todos seniors em suas respectivas áreas, ele sabe que nunca conseguirá entender o funcionamento de seu respectivo mercado melhor do que o próprio executivo mas, nos dias de hoje, as vezes é necessário colocar parte deste conhecimento de lado para conseguir ver as coisas com novos olhos.

Seria como o contrário do dejavu, o que o pessoal da IDEO chama de “vujade”. Você está em um lugar que já esteve centenas de vezes antes mas o vê com novos olhos e se pergunta “Ei, por que isso funciona dessa forma? Eu sei que sempre foi dessa forma mas não é obrigatório que seja assim.”

“O que fazer com esse problema, essa oportunidade de negócio que o antropólogo encontrou? Se você for um inovador, você irá projetar uma ótima experiência de usuário“; complementa Tom Kelley.

“Se você conseguir pensar como um antropólogo, você mesmo ou a sua equipe irá a campo observar o comportamento humano ao invés de ficar lendo um texto de marketing sobre como as pessoas devem se comportar. As pessoas nunca se comportam como deveriam!”

Tom termina a palestra dizendo que você pode ser o arquiteto desta experiência e utilizar esses insights para entregar essa experiência fantástica aos seus consumidores e criar o seu ciclo de inovação.

TED agora com legendas em português

Logo do TED

Pra quem não conhece, o TED (Technology, Entertainment, Design) é um evento anual que reúne os pensadores e inovadores mais fascinantes do mundo, que são convidados a ministrar a palestra da sua vida em até 18 minutos.

O site do TED disponibiliza os vídeos das melhores palestras do mundo, gratuitamente. Durante muito tempo, apenas quem possuía inglês avançado conseguia assistir e entender completamente os vídeos, o que restringia muito o público.

Agora, você pode encontrar os vídeos legendados em diversos idiomas, inclusive em português do Brasil! Também é possível dar a sua contribuição se inscrevendo para ser um tradutor dos vídeos do TED.

Seguem os links para algumas das palestras que já estão legendadas em português:

Todas as palestras do TED que já assisti eram geniais, seja pelo conteúdo, seja pela forma que o palestrante faz a sua apresentação ou pelo produto/ serviço que ele mostra. Vale a pena conferir!

Pesquisa etnográfica: o ponto chave para estratégia

Etnografia corporativa não serve mais apenas para inovar. Ela é a chave para conseguir um conhecimento completo dos seus clientes e do seu negócio. O trabalho etnográfico na minha companhia, a Intel, e em outras empresas, agora estão influenciando estratégias e o planejamento a longo prazo.

Etnografia é um ramo da antropologia que envolve tentar entender como as pessoas vivem suas vidas. Diferentemente dos tradicionais analistas de mercados, que fazem perguntas específicas, os antropólogos visitam as casas dos clientes ou seus escritórios para observar e ouvir de uma forma não-intrusiva.

Nosso objetivo é enxergar o comportamento das pessoas com sua própria visão, não com a nossa. Apesar deste método parecer ineficiente, ele nos mostra o contexto no qual o cliente usaria um novo produto e o significado que este produto teria em suas vidas.

A pesquisa etnográfica, na Intel, inicialmente focava em novos mercados. A companhia criava apenas produtos para escritório, mas em 1995, os gerentes pensaram em como os usuários domésticos poderiam se tornar um mercado distinto. A pesquisa etnográfica revelou um potencial enorme o que levou a Intel a criar uma unidade para focar em processadores e plataformas para o uso doméstico.

Recentemente, os etnógrafos mudaram o foco para questões estratégicas. Como muitas outras companhias tecnológicas, a Intel faz apostas a longo prazo de como o mercado vai estar no futuro. Será que a televisão e o computador irão convergir? Será que as pessoas da década de 40-60 estão mantendo seus hábitos de TV e computador enquanto envelhecem ou estão se adaptando às novas mídias? Será que os smartphones irão assumir a maioria das funções dos computadores domésticos?

A Intel pode analisar os últimos padrões de compras e de pesquisas com os consumidores para retirar informações úteis. Mas as pessoas, geralmente, não conseguem articular o que eles estão procurando em produtos ou serviços. Entendendo como as pessoas vivem, pesquisadores descobrem tendências de uma maneira elusiva.

Com Smartphones, por exemplo, nós podemos contrastar a perspectiva tecnológica dos adolescentes, que têm usado celulares desde o ensino fundamental com aqueles de gerações mais antigas, que vieram a usar smartphones apenas depois de aprender a usar os computadores.

Nosso trabalho, como antropólogos, é entender a perspectiva de uma tribo, consumidores, e comunicá-la à outra, as pessoas na Intel. Nossa experiência com os dois mundos tornam possível essa “tradução”. A etnografia se provou tão valiosa na Intel que a empresa agora emprega dezenas de antropólogos e outros etnógrafos treinados, provavelmente a maior equipe deste tipo no mundo.

Empresas de alta tecnologia são as que mais empregam etnógrafos nos dias de hoje. Mas acredito que etnografia traz tantos benefícios que irá se espalhar amplamente, ajudando empresas de qualquer ramos a entender plenamente seus clientes e se adaptar ao mercado que muda tão rápido.

Post traduzido do Harvard Business Review.

Crédito da foto: Papagallis.

Design baseado na experiência é sucesso no sistema de saúde do Reino Unido

Logo do Instituto de Inovação e Melhorias do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido

Design baseado na experiência (Experienced based design) é uma nova maneira de unir os pacientes à equipe médica para melhorar o tratamento e re-desenhar serviços. Essa metodologia está sendo desenvolvida pelo NHS Institute for Innovation and Improvement (Instituto de Inovação e Melhorias do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido) como uma maneira de ajudar as equipes médicas do NHS (Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido) a fazerem as melhorias que os pacientes realmente querem.

Mesmo que grandes companhias ao redor do mundo tenham usado abordagens semelhantes durante anos, essa abordagem é totalmente nova para a NHS. Essa iniciativa aplicada ao sistema de saúde está dando resultados impressionantes, fazendo com que os pacientes sintam-se mais seguros, mais felizes e mais valorizados, e também com que as equipes médicas sintam-se mais positivas, recompensadas e com mais recursos.

O que há de especial nesta abordagem?

Usar a experiência para desenvolver melhores serviços relacionados à saúde é uma maneira de perceber e entender as necessidades dos pacientes, funcionários e equipe médica no ambiente hospitalar.

Não apenas suas respectivas visões dos processos, como a velocidade e eficiência com que passam pelo sistema, são identificados nessa abordagem. Ao invés disso, essa utiliza as emoções pessoais de um paciente e as experiências dos funcionários em pontos cruciais do sistema. Isso é feito através de:

  • encorajamento e suporte aos pacientes e equipes para “contar suas histórias”.
  • utilização dessas histórias para localizar as partes do sistema onde a experiência dos usuários é moldada com maior intensidade (as partes do sistema que foram localizadas).
  • envolvimento dos pacientes, dos funcionários da área da saúde e das equipes médicas para re-projetar essas experiências ao invés de apenas sistemas e processos.

Se interessou?

O instituto desenvolveu guias e kits de ferramentas para melhorar a experiência do paciente que dão um suporte para quem quiser implementar esta abordagem.

Fonte: site oficial do NHS

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