A inovação requer pessoas no formato de I

Já virou quase um cliché dizer que times multi-disciplinares são a chave para o sucesso em inovação. Se certos problemas estão além do escopo de qualquer indivíduo – e na maioria das vezes estão – a maneira de resolvê-los  é utilizar um time com habilidades complementares e um idioma comum.

Até agora, tudo certo. Mas as dicas úteis vão se esgotando pouco depois dessas. Como não existe uma fórmula confiável para o RH ou para alguém que esteja tentando melhorar as habilidades ideais, eu pensei em compartilhar uma forma de pensar que creio ser bastante útil.

Por que ter pessoas no formato de “I” na equipe?

Primeiro de tudo, devo reconhecer a influência do meu amigo, co-fundador da IDEO, Bill Moggridge. Ele veio com a brilhante definição de pessoas no formato de “T”. O aspecto vertical do “T” representa profundidade, a barra horizontal a largura. Então uma pessoa no formato de “T” possui pouco conhecimento em uma vasta gama de assuntos e um profundo conhecimento em áreas mais focadas.

Três Pilares

Quando você coloca vários “T”s agrupados, suas barras verticais se sobrepõem, indicando que os “T”s tem um idioma comum e, idealmente, que suas bases combinadas conseguem ser extensas o suficiente para cobrir o problema que você deseja solucionar.

Na Microsoft (MSFT), nós tentamos assegurar que nos novos serviços ou produtos, tenhamos pelo menos três “T”s, refletindo níveis iguais de competência e criatividade em três áreas: negócios, experiência (em design) e tecnologia. Esses três pilares, que são inter-dependentes e entrelaçados, nós vemos como um alicerce para o que fazemos.

Mas, mesmo adorando a noção de pessoas em “T” criada pelo Bill, as coisas não são tão simples assim. Portanto, tanto como um cumprimento quanto como um complemento, eu propus a idéia de pessoas no formato de “I”.

Pessoas no formato de “I”

Essas pessoas tem seus pés firmemente plantadas na terra lamacenta do mundo prático e ainda conseguem se esticar alto o suficiente para colocar suas cabeças nas nuvens se necessário for. Além disso, elas ainda ocupam todo o espaço entre os dois.

Essa idéia foi concebida em minha mente graças ao Brian Shackel, pioneiro do design centrado no ser humano. Uma vez eu o perguntei se ele havia percebido alguma característica particular que distinguia os estudantes que, no futuro, conseguiam grandes feitos do restante.

Sua resposta foi tão rápida quanto perspicaz. Ele disse: “Todos estudantes que se destacaram tinham uma absurda capacidade de pensar abstratamente, no entanto eles também tinham uma sólida base em ferramentas e matérias concretas”.

Com isso, ele quis dizer que estes alunos conseguiriam se elevar acima das características de um problema específico para pensar sobre elas de uma maneira mais abstrata, de certa forma, de uma maneira mais geral.

Artigo traduzido da revista: BusinessWeek, autoria de Bill Buxton.

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